22 setembro 2009

O que é a injustiça?

Fico pensando nessa tal de injustiça. E, aos prantos, pra lá da meia-noite, não me conformo.
Não se trata dos barracos desmoronando e matando criancinhas, não se trata dos políticos roubando, dos Zés inocentes cumprindo pena por outro alguém, de balas perdidas matando jovens... Não. Isso está presente não é de hoje. A injustiça só é sentida quando acontece aqui, diante de nossos olhos e nós não podemos fazer nada contra ela.
Mas é injusto, Deus, como é injusto.
Aquele menino que desde criança mostrou ser diferente, desde pequenininho mostrou ter um potencial fora do comum, uma inteligência rara, um dom diferente nessa vida. E diziam: Você não pode desperdiçar isso aqui. Vá e ganhe o mundo.
E o pequeno sonhava com o mundo. E no degrau de uma escada, dez anos atrás, eu me lembro: Controles de videogame estragados, teclados de computador... Ele era o piloto e eu sua assistente.
E no degrau de uma escada nos voamos o mundo todo, derrotando os inimigos e ganhando medalhas de honra ao mérito.
E no degrau de uma escada, surgiu nosso piloto. O menino com o maior sonho do mundo.
Chegou aos dezesseis anos ganhando o próprio dinheiro, lutando dia e noite. Morto de cansado, ele ficava. E ainda conseguia ser o filho mais carinhoso que seus pais já viram.
Mas ele, por mais que fosse o melhor em sua área por aqui, por mais que todos ligassem só para ele fazer os concertos em seus computadores, o menino tinha um sonho maior. Ele não queria ser programador, técnico de informática: ele queria os céus.
E ele tentou. Fez curso para piloto privado junto com bonachões de meia idade e foi o único entre eles a passar na prova. Ele tem uma carteira de piloto que carrega consigo.
Injustiça pode ser ele não ter uns 200 mil à mão para gastar nas aulas práticas. Injustiça pode ser ele conseguir voar apenas porque o filho do cara mais rico da cidade generosamente convida ele para dar umas voltas em seu avião. Deixa o menino ver lá do alto a cidade que ele teve de abandonar para estudar. Deixa o menino ver as ruas em que ele correu, as casas dos amigos de infância que ele deixou para se isolar no mar de concreto e buzinas.
Injustiça pode ser ele ter de deixar o amor de sua vida para se enfiar no meio dos livros.
Injustiça pode ser ele ter estudado a vida toda em uma escola de nível fraquíssimo em comparação ao tamanho de seu sonho. Injustiça pode ser ele ter chegado atrasado em uma turma de gênios e ter de se entupir de café, Coca-cola e energético para se manter acordado enquanto, sozinho, tentava aprender a matéria e recuperar o tempo perdido.
Injustiça pode ser ele ter sido um dos melhores para um aluno do primeiro ano, mas isso não ser o suficiente para fazê-lo passar.
Injustiça pode ser ele ter desenvolvido miopia de estudar a luz de uma luminária, horas a fio, madrugada a dentro.
Injustiça pode ser ele estudar anos para uma prova e justo no dia passar mal e não conseguir fazê-la direito.
Injustiça pode ser ele ter que fazer uma cirurgia arriscada nos olhos, mesmo sem ter a certeza que iria passar.
Injustiça pode ser ele tatear as paredes do apartamento, cego, na apreensão da chegada do resultado. Comendo abacate de almoço e janta por não conseguir ir no mercado fazer as compras.
Injustiça pode ser ele depositar toda fé, toda a esperança, todo o esforço, todas as preces, todas as noites de sua adolescência, tudo em apenas dois cruciais dias de uma das provas mais concorridas do país. Geralmente 20.000 candidatos por 20 vagas.
Míseros 20 lugares que são ocupados, muitas vezes, por meninos ricos que estudaram em escolas militares desde a pré-escola e que nem queriam isso de verdade. Lugares ocupados por meninos que não têm a maior sensação de felicidade que alguém pode sentir ao voar. Esses meninos que não pediam aviões de brinquedo quando eram criança, que não perduraram aviõezinhos e estrelas no quarto, que não viam filmes de heróis aviadores, que não amarravam uma toalha em volta do pescoço para lhe servir de capa, que não sentaram na escada com um videogame estragado para derrotar os inimigos do mundo todo em pró da segurança "nacional" da casa...
E o menino da minha história agora senta num banco de ônibus, com seu horizonte apagado por uma cirurgia frustrada e um sonho despedaçado.
Mas injustiça mesmo será se esses meninos que tomaram o lugar do meu piloto, ousarem por um segundo se quer, reclamar do lugar onde estão. Pois há um menino que daria a vida para estar lá.

28 agosto 2009

Happy again.


Pra ver como são as coisas. Quando tudo parece ruim, a luz no fim do túnel estava mais perto do que você imagina. Bom, eu sei que posso contar com você, Tiffany, para todos os momentos e de forma alguma me referi a você no post passado. Você é mais que uma amiga, sabe disso.
Me refiro, agora, aos amigos em potencial. Pessoas que eu não conhecia e que agora fazem parte da minha vida todos os dias, graças à um momento de dificuldade que passei.
Posso dizer que sinto falta dos velhos tempos, mas se eles não voltam, cabe a mim criar novos tempos ainda melhores. Mas tudo virá com o tempo e as coisas se ajeitarão.
Como foi o tema da minha serenata semana passada: existe um tempo certo para tudo na vida.
E eu confio nisso.

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Tô feliz porque minha dieta está indo muito bem. Em dez dias perdi quase dois quilos, sem passar fome! To amando isso!
Espero perder mais três, pra ficar com meu corpitcho de volta. Aquele da foto. (Porém, minha cara estava MUITO tosca =X)
Quem sabe mais um mês e eu já não alcanço a meta?

É isso.
Beijos.

21 agosto 2009

Não tenho amigos.


É, não tenho.
A última semana foi difícil para mim nesse sentido. Não que eu já não tivesse percebido que não tenho amigos, mas agora parece que está ficando pior.
Nunca fiz questão de ter amizade com quem não tem ideias compatíveis com as minhas, e isso implicou em não ter amizade com ninguém. Não quero ser como as outras meninas que saem para se embebedar, tiram fotos para mostrar o traseiro e os peitos e passam em função de meninos que só as querem por uma noite. Também não quero um vínculo mais forte com aquelas que têm fama de serem... bem... popularmente conhecidas como "putas". Porque isso tem MUITO por aqui. Quem vem de fora sabe o que encontra: mulher fáceis, muitos fáceis, extremamente fáceis. Se você entende o exagero.
Por isso, ao longo dos anos, venho me firmando nos amigos meninos, que são muito mais fieis, companheiros... Mas ter uma grande amizade com meninos e ter namorado não dá. Ou um, ou outro. Então a amizade se torna uma conversa esporádica, até ficarem como se fossem estranhos.
Assim fiquei com meus melhores amigos. Eu tinha quatro melhores amigos homens. Saíamos sempre juntos, passávamos tardes inteiras um na casa do outro e eu sempre sendo a única menina no meio, mas nunca havia sido um problema. Tínhamos uma afinidade ímpar, nos entendíamos e tudo mais. mas meu coração bateu mais forte por outro menino e eu "optei" sem perceber por ele. Sem que eu visse, eu já não passava mais tanto tempo com meus amigos e os perdi, por assim dizer.
Fiquei, então com os colegas. E tinha um, só um, que eu chamava de amigo. Era aquele amigo que eu pude contar nas piores e melhores horas, que me compreendia e me divertia. Nos chamávamos de irmãos gêmeos, embora ele tenha olhos azuis e seja loiro, éramos gêmeos no nosso jeito. E hoje eu descobri que ele, finalmente, passou pro outro lado. O outro lado refere-se ao pessoal da outra turma que tem uma integrante que me odeia (não sei por quais motivos) e que está "recrutando" pessoas para o lado dela jogando sujo.
Nunca dei festinha para conquistar ninguém, dei festa para deixar meus amigos felizes; nunca menti a respeito de ninguém para que viessem para o meu lado; nunca obriguei ninguém a ser exclusividade minha no intervalo. Mas ela pratica essas ações e os idiotas caem nela.
No recreio de hoje ele, AINDA BEM, assumiu que está do lado dela. Não aguentava mais a falsidade dele, fingindo que me suportava pelos tempos passados.
Me vi, então, sozinha no corredor, buscando em minha memória quem era meu amigo e podia ficar comigo naquele momento. Aí pensei "credo, Bruna! Você abandona seus amigos pelo namorado e agora quer-los de volta só porque está sozinha? Você merece ficar sozinha!"
Foi aí que do nada apareceu um desses antigos amigos e percebeu no meu olhar que eu precisava de alguém. Mesmo sem conversar com ele há algum tempo ele disse " não vou te abandonar, passa o recreio com a gente".
E fui, ouvi-los tocando violando e cantando. Mas fiquei no meu canto, já estranhando o fato de não ter intimidade com ele e nem com os amigos dele que estavam junto. Não posso considerá-los meus amigos de verdade.
Não tenho amigos, é mesmo. Ninguém me convida para nada, ninguém lembra que eu também tenho fim de semana, ninguém lembra que eu quero me divertir, ninguém lembra de mim se não for nos momentos que precisa, ninguém lembra de mim se não está na fossa, ninguém lembra de mim se não está com problemas com os exercícios de inglês, ninguém lembra de mim se não para fazer um trabalho difícil ou passar as respostas dos exercícios de física, ninguém lembra que eu existo!
É como minha mãe falou: ainda bem que me sobra meu namorado, que é amigo também. Não fosse ele, ninguém ia me ligar só pra saber como eu estou, se eu chorei hoje ou não. Somente ele, coitado, que trabalha horrores o dia todo e ainda faz faculdade a noite, tira um tempinho, nem que sejam dois minutos, pra dar aquela ligada e perguntar "e aí? tudo bem? quer fazer alguma coisa hoje?".
Triste? É triste. Eu já liguei para antigos amigos, já perguntei como eles estavam, já corri atrás. Mas ninguém faz realmente questão da minha amizade.
Mas eu acho que Deus tem um plano maior para mim, eu sempre acredito nisso.
Porém, eu ainda queria ter uma daquelas amizades de filme, com um monte de meninas deitadas de bruços na minha cama, contando todos os babados da vida e usando pulseirinhas de amizade. Quem sabe um dia? Quem sabe um dia eu vou ouvir meu celular tocar numa noite de sexta com alguém perguntando se rola sair um pouco. Hãm? Não custa sonhar.


P.s.: Foto dos tempos que eu curtia uma tarde à toda num terraço.

18 agosto 2009

Post rápido

Só pra falar que hoje assisti um filme que tinha vontade de ver, mas ainda não tinha visto, que é Memórias de uma Gueixa. Muito interessante, gostei. Mas é comprido e me tomou quase toda a tarde.
Então, fiquei só com a noite para ler O Quinze que retirei hoje de manhã na biblioteca. E com cinco horas de leitura, parando só para um lanche, consegui terminar e ir logo para o próximo.
Reafirmo que quanto mais eu leio essas obras, mais tenho vontade de agradecer por minha vida e pelas oportunidades que tenho.
O Qinze eu recomendo, é triate, sofrido, mas muito real e fascinante. Rachel de Queiróz fez uma narrativa tocante sobre o sofrimento dos retirantes. Vale a pena.

Como disse, o post é rápido. Amanhã vejo se posto algo mais interessante.

17 agosto 2009

Just because I'm loosing,

doesn't mean I'm lost.

Não, não quero abandonar o blog, eu gosto muito ele. Na verdade, penso em postar aqui todo dia, mas o tempo me falta.
Começaram as aulas hoje, finalmente. Mas não faço ideia de como vamos recuperar as duas semanas perdidas.
Porém, confesso que vou sentir falta de acordar oito e pouco, tomar um café tranquilamente para estudar no meu ritmo as coisas que eu considero importantes, sem gritos e fofocas ao meu lado. Estudar também à tarde, mas com a expectativa para a noite, que eu com certeza teria uma coisa legal para fazer com meu amor. Agora nós dois voltamos à rotina de quinze minutos no almoço, meia hora na quarta-feira e fim-de-semana. Saco! O dia deveria ter uma reserva especial para passar junto com a pessoa amada, sem que isso implicasse em horas de sono/estudo perdidas.

Hoje terminei de ler Vidas Secas de Graciliano Ramos. Sim, foi por causa do currículo que li, mas achei muito bom e válido. Uma narrativa interessante, verdadeira e, por certo ponto de vida, emocionante. Nos faz querer agradecer ainda mais pela vida que temos. Aconselho.
Amanhã vou ver se retino O Quinze na biblioteca, também pelo currículo. Só que esse eu vou reler, pois, por incrível que pareça, li quando eu tinha uns nove, dez anos. Achei complicado, não lembro se terminei.
Quero/tenho que ler tantos livros que acho que vou ter que ler O Quinze em uns três dias, no máximo!

Bom, agora estou no trabalho. Quando eu estiver em casa e com tempo (o que está cada vez mais difícil) posto uma coisa decente e ao meu gosto.



"She will go and set the world on fire. No one ever thought she could do that.
Feel it. Breathe it. Believe it."